São 11 atrativos cadastrados em São Roque de Minas: 4 cachoeiras, 3 local históricos, 3 atrativos e 1 mirante. Cada um com foto, localização e o que já se sabe sobre a visita.

No alto do Chapadão da Canastra, o São Francisco ainda corre raso entre lajes de pedra e forma piscinas naturais pouco antes de despencar do paredão. Esta é a parte alta da Casca d'Anta: o rio visto de cima, no trecho em que se prepara para a sua primeira grande queda. O acesso é pela Portaria 1, em São Roque de Minas, e de lá são 26 km de estrada de terra dentro do parque. A estrada tem trechos esburacados. Na seca, há quem chegue de carro comum com calma, mas nas chuvas as condições ficam precárias e um 4x4 ou um passeio com condutor autorizado faz diferença. Não há posto de combustível no parque, então abasteça na cidade. Do estacionamento, uma trilha curta, de cerca de 300 metros, leva às piscinas e ao mirante. O banho é no poço raso, de acesso fácil. O Poço Profundo, logo abaixo da primeira cachoeira, está interditado desde setembro de 2026, junto com a trilha que desce até ele: o Serviço Geológico do Brasil encontrou ali um bloco de rocha de uns 15 metros de altura com risco de tombar. Vale saber antes de ir: daqui de cima não se vê a grande queda, que fica encaixada no cânion. Para ver a Casca d'Anta de frente é preciso ir pela parte baixa, que é outro passeio, por outra portaria. A trilha que ligava as duas partes está fechada pelo parque por causa de deslizamentos e queda de blocos, por isso as duas não cabem no mesmo dia. A entrada está gratuita no momento e pede CPF e documento com foto. A Portaria 1 abre às 8h, a entrada de carro vai até as 16h e a saída até as 18h. A pé ou de bicicleta, o horário vai das 4h às 21h. Na parte alta, o limite de permanência sem condutor é 17h para quem volta pelas portarias 1 ou 2, e 16h para quem volta pela 3. Não é permitido levar bebida alcoólica pelo chapadão, e não há lanchonete nem lixeira no atrativo: leve água e lanche e traga o lixo de volta. A cabeceira do rio é área de enxurrada, e há placas avisando. Se o tempo fechar ou a água subir e turvar, saia das pedras na hora. Drone sobre o rio não é autorizado de maio a agosto, época de reprodução do pato-mergulhão, ave criticamente ameaçada que vive nos rios do parque.
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Em 1819, o naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire saiu do caminho para conhecer o São Francisco e ouviu o barulho da cachoeira antes de vê-la. No livro em que contou a viagem, descreveu a queda como um lençol de água branca e espumosa que parecia formar flocos de neve. A trilha que leva até ela hoje tem o nome dele. É a primeira grande queda do Rio São Francisco, alimentada pelas águas que nascem lá em cima, no chapadão. O ICMBio fala em 186 metros de queda livre, e o Serviço Geológico do Brasil, que estudou o paredão, registra cerca de 180. A rocha é quartzito, e a água desce justamente por uma falha geológica que rachou a serra. Do nome, a versão mais contada diz que vem de uma árvore chamada casca-d'anta, mas nem os livros de botânica concordam sobre qual árvore é essa. A entrada é pela Portaria 4, na região de São José do Barreiro, com acesso por Vargem Bonita. Da portaria até a queda são cerca de 1,5 km de caminhada leve e quase plana. Dá para ir pela pista de terra ou pela trilha por dentro da mata, na sombra. Tem banheiro no começo e no meio do caminho, quiosques para o lanche e, no final, um trecho de pedras grandes que pede atenção. O poço aos pés da queda é para olhar, não para nadar. Ele é muito fundo, existe placa de risco de afogamento, e o Serviço Geológico classifica a área com perigo alto de queda de blocos de rocha, que pode acontecer sem aviso, com chuva ou sem chuva. O banho fica nos poços do São Francisco ao longo da trilha. Mesmo ali há perigo de enxurrada: se a água subir ou ficar barrenta, saia do rio na hora. A entrada está gratuita no momento e pede CPF e documento com foto. A portaria abre às 8h, a entrada vai até as 16h e a saída até as 18h. Com condutor autorizado, dá para entrar a partir das 7h10. Não entram animais de estimação, churrasqueira nem fogareiro, e não há lixeira nos atrativos: o lixo volta com você. Pessoas com deficiência podem ir de carro até os quiosques, e o parque empresta uma cadeira adaptada para trilha, com agendamento de cinco dias úteis. Dica de guia: perto da portaria o sinal de celular pode faltar. Baixe o mapa antes de sair da cidade (o app CanastraPass tem o mapa da região para usar sem sinal) e procure por "Portaria 4" ou "parte baixa", porque só "Casca d'Anta" pode mandar você para o outro lado da serra. E repare no rio: ele é casa do pato-mergulhão, uma das aves mais ameaçadas do Brasil. Ver um é sorte rara, nunca garantida.
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A Cachoeira do Fundão é daquelas que a serra guarda para quem tem paciência. As águas do rio Santo Antônio despencam de cerca de 80 metros, a medida que a maioria dos guias registra (há quem fale em 90), e caem num poço arredondado de água clara, rodeado de pedra boa para secar ao sol. Por muito tempo a cachoeira ficou dentro de fazendas. O plano de manejo do parque ainda guarda o nome de duas delas, a do João Turco e a da Dona Helena, e o ICMBio registra que a área foi desapropriada em 2014. Hoje é terra pública do Parque Nacional da Serra da Canastra, e quem chega ainda encontra sinais da vida de antes, como capim plantado e restos de benfeitorias. Chegar faz parte do passeio. A portaria mais perto é a 2, no distrito de São João Batista da Serra da Canastra, a uns 17 km da cachoeira. Quem sai de São Roque de Minas pela Portaria 1 segue a estrada principal do chapadão e depois um ramal sinalizado, num total que os guias calculam entre 50 e 55 km. É tudo terra, e o fim é muito precário: a partir de certo ponto só passa 4x4. O trecho mais famoso é a Subida do Fundão, onde muita gente deixa o carro e segue a pé, o que soma alguns quilômetros de caminhada e uma volta inteira de subida. Do estacionamento até a queda são cerca de 1,8 km, pela medida do ICMBio, numa trilha de inclinação média, sinalização rústica e muitos obstáculos. Boa parte do caminho acompanha o rio por cima das pedras, às vezes com ajuda das mãos, e no percurso aparecem poços e uma cachoeira menor. Calçado fechado de sola firme faz toda a diferença, e a volta pede fôlego. O sol bate em cheio no poço mais ou menos das 10h às 14h. Na seca, de abril a setembro, estrada e trilha ficam mais tranquilas. Entre outubro e março chove, e rio de serra sobe de repente quando chove nas cabeceiras, mesmo com céu aberto onde você está: ao primeiro sinal de chuva, saia da beira d'água. Não pule no poço sem conhecer a profundidade e não fique debaixo da queda. A entrada no parque é gratuita, com documento com foto e CPF em mãos. As portarias funcionam todos os dias, com entrada das 8h às 16h e saída até as 18h. Sem condutor autorizado, o ICMBio pede que você deixe a cachoeira até 16h30 se for sair pela Portaria 2, ou até 16h se for sair pela 1 ou pela 3. Não há estrutura nem lixeira no atrativo e bebida alcoólica não entra no chapadão: leve água, lanche e o seu lixo de volta. Condutor não é obrigatório, mas no Fundão ele vale cada quilômetro.
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A Rasga Canga fica no alto do Chapadão da Canastra, uns 28 km depois da Portaria 1, já no caminho dos Rolinhos. Não espere uma queda única e alta: o ICMBio a descreve como um conjunto de corredeiras na parte alta do Ribeirão da Mata, descendo em degraus entre campos abertos e uma faixa de mata ciliar. Alguns guias da região também a chamam de Cachoeira do Colibri. Ninguém deixou por escrito de onde vem o nome. Canga é a peça de madeira que une a junta de bois no carro, e o resto da história a serra guardou para ela. O acesso é por estrada de terra: da estrada principal do chapadão sai o ramal que leva ao Poço do Alto do Rolim, e ali o parque mantém estacionamento e sinalização. Na época das chuvas o ramal costuma ficar acidentado. Do carro até a água a caminhada é curta, de poucos minutos a uns 20, dependendo de até onde você desce, mas é íngreme e tem bastante pedra. As corredeiras formam poços para banho, e o lugar é bom para um piquenique demorado. Pedra molhada escorrega, então vá devagar. Quem quiser esticar o dia segue até o Poço do Alto do Rolim, a cerca de 1,7 km, acima da Cachoeira dos Rolinhos. Rio de chapadão sobe rápido quando chove nas cabeceiras. Para descer à parte baixa da Rasga Canga é preciso atravessar o rio na ida e na volta, e ao menor sinal de chuva o certo é sair dali. Nos poços dessa região o ICMBio registra o pato-mergulhão, ave criticamente ameaçada de extinção. Se ele aparecer, é sorte: fique em silêncio e mantenha distância. A entrada no parque é gratuita, com documento com foto e CPF em mãos. As portarias funcionam todos os dias, com entrada das 8h às 16h e saída até as 18h, e a pé ou de bicicleta dá para entrar a partir das 4h e sair até as 21h. Sem condutor autorizado, o ICMBio pede que você deixe a Rasga Canga até 17h se for sair pela Portaria 1 ou 2, ou até 16h se for sair pela 3. Não há lixeira no atrativo e bebida alcoólica não entra no chapadão.
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O Curral de Pedras fica no chapadão, a parte alta do Parque Nacional da Serra da Canastra, à beira da estrada principal que liga a Portaria 1, em São Roque de Minas, à nascente do Rio São Francisco e à parte alta da Casca d'Anta. São cerca de 5 km depois da portaria, que por sua vez fica a uns 7 km da cidade por estrada de terra. Para muita gente, é a primeira parada no alto da serra. É um grande muro de pedra em semicírculo, levantado sem nenhuma argamassa, com blocos enormes arrastados com a ajuda de carros de boi. O Plano de Uso Público do parque o descreve como uma construção do século XVIII. Por ali passava o caminho das tropas que seguiam para Desemboque e Sacramento, e os tropeiros pousavam com os animais dentro do curral. Depois veio a lida do gado. Segundo os documentos do parque, na seca o gado de leite era levado para o pasto do chapadão e passava alguns meses lá em cima. Famílias de vaqueiros, os retireiros, ficavam a temporada em pousos simples chamados retiros, onde também faziam queijo. O curral é um dos remanescentes dessa pecuária, ligada de perto à história do Queijo Canastra. Com a criação do Parque Nacional, em 1972, as fazendas do chapadão foram desapropriadas, e o curral ficou como testemunho de como se vivia e se trabalhava no alto da Canastra antes do parque. O ICMBio trata os muros, casas e currais de pedra como patrimônio histórico da unidade. Hoje o lugar tem mirante e placas informativas. Do alto das pedras, o chapadão se abre em campos sem fim até o horizonte, e dá para entender o nome da serra: vista de longe, ela lembra uma canastra, o grande cesto de ripas de antigamente. Em volta crescem canela-de-ema, sempre-vivas, lírios e o capim barba-de-bode, típicos do cerrado de altitude. As regras do parque proíbem subir, escalar ou danificar os muros: contemple, fotografe e deixe cada pedra no lugar. O curral fica dentro do Parque Nacional, e a entrada é gratuita. O parque abre todos os dias: a entrada pelas portarias vai das 8h às 16h e a saída tem de acontecer até as 18h. Quem chega a pé ou de bicicleta pode entrar a partir das 4h e sair até as 21h. Leve documento com foto e CPF. O parque pode fechar em dias de incêndio: confira antes de subir.
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A Garagem de Pedras fica no chapadão, a parte alta do Parque Nacional da Serra da Canastra, em São Roque de Minas. Ela está na beira da serra, à margem da estrada interna do parque, bem em cima do Vão dos Cândidos, o vale que se abre lá embaixo. É uma construção antiga de pedra que servia à Fazenda Velha dos Cândidos, no fundo do vale. O plano de manejo do parque registra que a fazenda dos Cândidos originalmente se chamava Quilombo. Naquele tempo, os moradores do Vão dos Cândidos subiam e desciam a serra a pé ou no lombo de burro. A garagem no alto era o ponto de troca, onde ficava o carro de quem chegava pelo chapadão e começava a descida a cavalo. Por isso ela também é lembrada como um antigo entreposto. A história mais contada na região é a do velho Cândido. Dizem que, voltando das suas viagens, ele deixava o carro guardado na garagem e soltava foguetes. Lá embaixo, os empregados da fazenda ouviam os estouros, encilhavam os cavalos e subiam a serra para buscar o patrão. A Fazenda Velha continua no fundo do vale até hoje. Atrás da construção está um dos mirantes mais bonitos do parque. Dali se vê todo o Vão dos Cândidos, a Serra do Taboão, a Serra das Sete Voltas e o Chapadão da Babilônia, e no fim da tarde o pôr do sol pinta o vale inteiro. A garagem é simples, e a graça está na história e na vista: vale parar, caminhar até a borda e ficar um tempo olhando. A garagem fica dentro do Parque Nacional, e a entrada é gratuita. O parque abre todos os dias: a entrada pelas portarias vai das 8h às 16h e a saída tem de acontecer até as 18h. Quem chega a pé ou de bicicleta pode entrar a partir das 4h e sair até as 21h. A estrada é de terra e, na época das chuvas, o trecho de barro pede veículo alto ou 4x4. Leve documento com foto e CPF. O parque pode fechar em dias de incêndio: confira antes de subir.
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No ponto mais alto da estrada que vai de São José do Barreiro para a Babilônia, entre a parte baixa da Casca d'Anta e a subida da Serra Branca, fica um mirante a mais de 1.200 metros de altitude. Dali a vista alcança o Vão dos Cândidos, a Cachoeira Casca d'Anta e o paredão da Canastra no horizonte. Na beira da estrada, blocos de quartzo xisto ficaram espalhados pelo campo, esculpidos pela erosão. O nome vem do garimpo. Segundo o inventário de geossítios do Serviço Geológico do Brasil, guias da região relacionam o lugar à mineração de diamante nos córregos da serra. O garimpo de diamante no alto São Francisco ganhou força a partir de 1936 e 1937, chegou a reunir uns 5 mil garimpeiros e fez nascer Vargem Bonita e São José do Barreiro. Perto do escarpamento da serra, a oeste do Barreiro, o serviço geológico francês achou em 1974 o kimberlito Canastra-1, considerado a primeira fonte primária de diamante economicamente viável do país. Anos depois ele foi estudado pela SAMSUL, empresa do grupo De Beers. Chegar exige atenção. Não há placa no caminho, e o mirante é fácil de passar sem ver. Também não há sinal de celular. Pelo lado da Casca d'Anta, carro alto costuma chegar em tempo seco. Subindo pela Serra Branca, só com 4x4, principalmente depois de chuva. A Serra Branca, aliás, tem esse nome pela cor do chão, um solo branco que vem do desgaste do quartzito. Para não errar o caminho, contrate um guia local ou reserve o roteiro Caminho das Luzes, que passa por aqui, e programe a volta com luz do dia.
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Na borda do chapadão, bem perto de onde o São Francisco se lança do paredão, fica o mirante da parte alta da Casca d'Anta. É lugar de olhar longe: o vale lá embaixo, que na região chamam de Vão dos Cândidos, e as serras fechando o horizonte. Combinado sincero: daqui não se vê a queda principal. Ela fica encaixada no cânion, e o ângulo do mirante não alcança. O que se leva daqui é o tamanho da serra, a escarpa cujo formato, como lembra o Serviço Geológico do Brasil, remete aos antigos baús chamados canastra. O mirante faz parte da visita à parte alta, com entrada pela Portaria 1 e 26 km de estrada de terra dentro do parque. Do estacionamento, a trilha é curta e leve, e só no finalzinho tem uma pequena subida por pedras. O ICMBio lista o mirante entre os atrativos liberados para visitação. A estrutura ali ainda é natural: o mirante e a passarela da parte alta estão nos planos do ICMBio. Até lá, fique longe da borda, mantenha as crianças por perto e não pise em pedra solta. O Serviço Geológico registrou fraturas no topo do paredão em volta do Poço Profundo, que está interditado. Valem as regras da parte alta: entrada gratuita no momento, com CPF e documento com foto, portaria aberta das 8h às 16h para entrar e saída até as 18h. O limite de permanência sem condutor é 17h para quem volta pelas portarias 1 ou 2. Não há lanchonete nem lixeira. Com chuva, a estrada piora e o parque pode antecipar os horários.
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Depois de visitar a parte baixa da Casca d'Anta, a estrada principal sobe a serra por uns 5,5 km até o alto do Morro do Carvão. É um dos mirantes mais procurados de São José do Barreiro, e teve viajante que escreveu que dali saiu a vista mais bonita da viagem. No alto fica a Capela de São Sebastião. Lá de cima se avista a face sul do Chapadão da Canastra, o Vão dos Cândidos, o vale da Babilônia e o paredão de onde despenca a Casca d'Anta. Com a luz certa, dá para ver ainda outra queda d'água no paredão. O fim de tarde é a hora preferida de quem conhece, por causa do pôr do sol. O acesso é todo de terra. Em dia de sol, segundo visitantes, carro de passeio sobe. Com chuva, vale perguntar como está a estrada antes de ir. O ponto do mirante é só a vista, sem estrutura de apoio, então leve sua água. Para quem segue rumo ao Mirante da Mineradora e à subida da Serra Branca, o Morro do Carvão fica no caminho.
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Quem roda pelo alto da Canastra logo percebe que a serra já teve morador. Muros, currais e casas de pedra empilhada aparecem em vários pontos do parque, e o ICMBio trata essas construções como patrimônio histórico da unidade. São o que restou de um tempo em que o chapadão era caminho de tropa e pasto de gado. Segundo os documentos do parque, essas construções estão ligadas aos antigos caminhos que cruzavam a serra, como a Picada de Goiás, e depois à pecuária de leite. Na seca o gado subia para o chapadão e ficava ali alguns meses. Famílias de vaqueiros, os retireiros, passavam a temporada em pousos simples chamados retiros, onde também faziam queijo. É uma lida ligada de perto à história do Queijo Canastra. O lugar mais fácil para ver esse patrimônio é o Curral de Pedras, à beira da estrada principal, perto da Nascente do São Francisco: um muro de pedra em semicírculo, levantado sem argamassa, onde o gado ficava preso e onde tropeiros a caminho de Desemboque e Sacramento pousavam com a tropa. Quem empilhou essas pedras, ninguém registrou. Há quem atribua alguns muros da região ao trabalho de pessoas escravizadas, mas não encontramos estudo histórico que confirme. Os documentos do parque tratam esse patrimônio como pouco estudado, e muitos currais e muros, como os do Chapadão do Diamante, ainda não estão abertos à visitação. Olhe, fotografe e deixe tudo como está. As regras do parque proíbem subir, escalar ou danificar os muros e qualquer estrutura de pedra empilhada, e também sair das trilhas e estradas. O parque abre todos os dias: de carro, a entrada vai das 8h às 16h e a saída até as 18h; a pé ou de bicicleta, das 4h às 21h. A entrada está gratuita, com CPF e documento com foto.
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No alto do Chapadão da Canastra, a cerca de 5 km da Portaria 1, em São Roque de Minas, fica o lugar que o Brasil aprendeu a chamar de nascente do Rio São Francisco. Dali a água segue mais de 2.800 km por cinco estados até o Atlântico, entre Sergipe e Alagoas. O próprio Parque Nacional foi criado em 1972, antes de tudo, para proteger essas cabeceiras. Não espere ver a água brotando de um buraco no chão. O alto da serra é um campo úmido, cheio de olhos d'água, e foi a gente da região que escolheu este ponto como a nascente simbólica do Velho Chico. O que você encontra é um pequeno poço de água clara, uma placa de pedra com o nome do rio, que o plano de manejo do parque pede para manter por seu valor histórico, e, a poucos passos, a estátua de São Francisco de Assis, o santo que dá nome ao rio. E a nascente tem debate. Um estudo da Codevasf feito em 2001 e 2002 concluiu que o curso principal do rio é o Samburá, que nasce no município de Medeiros. Por esse critério, a nascente geográfica estaria lá, e o rio teria cerca de 2.863 km em vez de 2.814. Em 2015, a ANA e o IBGE ainda não reconheciam a mudança. Por isso a da Canastra é chamada de nascente histórica: é a que está nos livros e na memória de quem vive aqui. A visita é curta e tranquila. O carro fica junto à estrada principal do parque, e uma trilha curta e bem demarcada leva até o marco. No caminho, a estrada cruza o rio por uma ponte de madeira antiga e estreita, onde passa um carro por vez. O chão em volta é um campo encharcado e frágil, então fique na trilha. O parque não tem lixeira nos atrativos: o lixo volta com você até a portaria. O parque abre todos os dias. De carro, a entrada vai das 8h às 16h e a saída até as 18h; a pé ou de bicicleta, dá para entrar a partir das 4h e sair até as 21h. A entrada está gratuita, mas é preciso apresentar CPF e documento com foto. O trecho em obra entre São Roque e a Portaria 1 deve seguir até o início de 2027, então chegue com folga. Nas chuvas, de outubro a março, as estradas de terra pioram. No fim da seca a água diminui: em setembro de 2014, numa estiagem forte, a nascente chegou a secar por completo.
Ver detalhes →Na estrada que liga São José do Barreiro à parte baixa da Casca d'Anta, logo no começo, fica a queijaria da Néria. É parada certa de quem vai ou volta da cachoeira, e o próprio pessoal da região costuma indicar. Néria aprendeu a fazer queijo com a mãe, ainda menina, e é a quarta geração da família no ofício. Produz numa casa que foi do bisavô, com pato, galinha e peru andando pelo terreiro. Ela conta que, quando aprendeu, queijo não se vendia para turista. Hoje a casa recebe gente de todo canto, o dia inteiro. No balcão tem queijo canastra artesanal, requeijão, doce caseiro, licor, café e cachaça. A degustação é gratuita. Quem passa por lá costuma falar dela, do atendimento de casa da roça e das crianças encantadas com os bichos da fazenda. Dá para encaixar a visita antes ou depois da Casca d'Anta parte baixa, que fica a poucos quilômetros dali.
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A Roça da Cidade é uma queijaria de família no km 2 da Estrada Parnacanastra, a estrada que sai de São Roque de Minas rumo ao Parque Nacional da Serra da Canastra, a poucos minutos do centro. O queijo sai do leite do próprio rebanho, trabalhado no mesmo dia, com coalho natural e o pingo, o fermento nativo da queijaria. A massa é formada à mão e o queijo matura no tempo dele. É o modo de fazer que o Iphan registrou como patrimônio cultural brasileiro em 2008 e que a Unesco reconheceu como patrimônio da humanidade em dezembro de 2024. O canastra real da casa já ganhou medalha de prata no concurso mundial de queijos de Tours, na França. A visita é guiada e termina numa degustação. Dependendo da hora em que você chega, dá para ver a ordenha e o começo da produção do dia. Visita individual não precisa de agendamento; grupo com mais de 12 pessoas precisa avisar antes.
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