
Dois dias no berço do São Francisco. No primeiro, a Casca d'Anta vista de baixo, com queijaria e café da serra. No segundo, o alto do parque: a nascente histórica, os currais de pedra e a borda da cachoeira.
O Velho Chico nasce pequeno. No alto do Chapadão da Canastra, a água brota de um campo úmido, corre rasa entre lajes de pedra e, poucos quilômetros depois, se joga de um paredão de quartzito de 186 metros. É a Casca d'Anta, a primeira grande queda do Rio São Francisco. Em 1819, o naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire ouviu o barulho dela antes de vê-la, e escreveu que a água parecia formar flocos de neve.
Este roteiro conta essa história pelos dois lados. No primeiro dia você entra pela Portaria 4 e caminha pela trilha que hoje leva o nome de Saint-Hilaire até os pés da queda, com tempo para os poços do rio, a queijaria e o café da serra. No segundo dia sobe ao chapadão: a nascente histórica, os currais de pedra empilhada sem argamassa e a borda da Casca d'Anta, onde o rio se prepara para cair.
São dois dias porque a serra pede. A parte baixa e a parte alta ficam em portarias diferentes, a uns 35 km uma da outra, e a trilha que ligava as duas está fechada pelo parque. Quem tenta tudo num dia só vê metade.
A Casca d'Anta pelos dois lados: os pés da queda no dia 1, a borda no dia 2
A nascente histórica do Rio São Francisco, no alto do chapadão
O Curral de Pedras, com muros empilhados sem argamassa
Queijaria artesanal e café especial da Canastra
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A Cachoeira do Fundão é daquelas que a serra guarda para quem tem paciência. As águas do rio Santo Antônio despencam de cerca de 80 metros, a medida que a maioria dos guias registra (há quem fale em 90), e caem num poço arredondado de água clara, rodeado de pedra boa para secar ao sol. Por muito tempo a cachoeira ficou dentro de fazendas. O plano de manejo do parque ainda guarda o nome de duas delas, a do João Turco e a da Dona Helena, e o ICMBio registra que a área foi desapropriada em 2014. Hoje é terra pública do Parque Nacional da Serra da Canastra, e quem chega ainda encontra sinais da vida de antes, como capim plantado e restos de benfeitorias. Chegar faz parte do passeio. A portaria mais perto é a 2, no distrito de São João Batista da Serra da Canastra, a uns 17 km da cachoeira. Quem sai de São Roque de Minas pela Portaria 1 segue a estrada principal do chapadão e depois um ramal sinalizado, num total que os guias calculam entre 50 e 55 km. É tudo terra, e o fim é muito precário: a partir de certo ponto só passa 4x4. O trecho mais famoso é a Subida do Fundão, onde muita gente deixa o carro e segue a pé, o que soma alguns quilômetros de caminhada e uma volta inteira de subida. Do estacionamento até a queda são cerca de 1,8 km, pela medida do ICMBio, numa trilha de inclinação média, sinalização rústica e muitos obstáculos. Boa parte do caminho acompanha o rio por cima das pedras, às vezes com ajuda das mãos, e no percurso aparecem poços e uma cachoeira menor. Calçado fechado de sola firme faz toda a diferença, e a volta pede fôlego. O sol bate em cheio no poço mais ou menos das 10h às 14h. Na seca, de abril a setembro, estrada e trilha ficam mais tranquilas. Entre outubro e março chove, e rio de serra sobe de repente quando chove nas cabeceiras, mesmo com céu aberto onde você está: ao primeiro sinal de chuva, saia da beira d'água. Não pule no poço sem conhecer a profundidade e não fique debaixo da queda. A entrada no parque é gratuita, com documento com foto e CPF em mãos. As portarias funcionam todos os dias, com entrada das 8h às 16h e saída até as 18h. Sem condutor autorizado, o ICMBio pede que você deixe a cachoeira até 16h30 se for sair pela Portaria 2, ou até 16h se for sair pela 1 ou pela 3. Não há estrutura nem lixeira no atrativo e bebida alcoólica não entra no chapadão: leve água, lanche e o seu lixo de volta. Condutor não é obrigatório, mas no Fundão ele vale cada quilômetro.

A Rasga Canga fica no alto do Chapadão da Canastra, uns 28 km depois da Portaria 1, já no caminho dos Rolinhos. Não espere uma queda única e alta: o ICMBio a descreve como um conjunto de corredeiras na parte alta do Ribeirão da Mata, descendo em degraus entre campos abertos e uma faixa de mata ciliar. Alguns guias da região também a chamam de Cachoeira do Colibri. Ninguém deixou por escrito de onde vem o nome. Canga é a peça de madeira que une a junta de bois no carro, e o resto da história a serra guardou para ela. O acesso é por estrada de terra: da estrada principal do chapadão sai o ramal que leva ao Poço do Alto do Rolim, e ali o parque mantém estacionamento e sinalização. Na época das chuvas o ramal costuma ficar acidentado. Do carro até a água a caminhada é curta, de poucos minutos a uns 20, dependendo de até onde você desce, mas é íngreme e tem bastante pedra. As corredeiras formam poços para banho, e o lugar é bom para um piquenique demorado. Pedra molhada escorrega, então vá devagar. Quem quiser esticar o dia segue até o Poço do Alto do Rolim, a cerca de 1,7 km, acima da Cachoeira dos Rolinhos. Rio de chapadão sobe rápido quando chove nas cabeceiras. Para descer à parte baixa da Rasga Canga é preciso atravessar o rio na ida e na volta, e ao menor sinal de chuva o certo é sair dali. Nos poços dessa região o ICMBio registra o pato-mergulhão, ave criticamente ameaçada de extinção. Se ele aparecer, é sorte: fique em silêncio e mantenha distância. A entrada no parque é gratuita, com documento com foto e CPF em mãos. As portarias funcionam todos os dias, com entrada das 8h às 16h e saída até as 18h, e a pé ou de bicicleta dá para entrar a partir das 4h e sair até as 21h. Sem condutor autorizado, o ICMBio pede que você deixe a Rasga Canga até 17h se for sair pela Portaria 1 ou 2, ou até 16h se for sair pela 3. Não há lixeira no atrativo e bebida alcoólica não entra no chapadão.

A Garagem de Pedras fica no chapadão, a parte alta do Parque Nacional da Serra da Canastra, em São Roque de Minas. Ela está na beira da serra, à margem da estrada interna do parque, bem em cima do Vão dos Cândidos, o vale que se abre lá embaixo. É uma construção antiga de pedra que servia à Fazenda Velha dos Cândidos, no fundo do vale. O plano de manejo do parque registra que a fazenda dos Cândidos originalmente se chamava Quilombo. Naquele tempo, os moradores do Vão dos Cândidos subiam e desciam a serra a pé ou no lombo de burro. A garagem no alto era o ponto de troca, onde ficava o carro de quem chegava pelo chapadão e começava a descida a cavalo. Por isso ela também é lembrada como um antigo entreposto. A história mais contada na região é a do velho Cândido. Dizem que, voltando das suas viagens, ele deixava o carro guardado na garagem e soltava foguetes. Lá embaixo, os empregados da fazenda ouviam os estouros, encilhavam os cavalos e subiam a serra para buscar o patrão. A Fazenda Velha continua no fundo do vale até hoje. Atrás da construção está um dos mirantes mais bonitos do parque. Dali se vê todo o Vão dos Cândidos, a Serra do Taboão, a Serra das Sete Voltas e o Chapadão da Babilônia, e no fim da tarde o pôr do sol pinta o vale inteiro. A garagem é simples, e a graça está na história e na vista: vale parar, caminhar até a borda e ficar um tempo olhando. A garagem fica dentro do Parque Nacional, e a entrada é gratuita. O parque abre todos os dias: a entrada pelas portarias vai das 8h às 16h e a saída tem de acontecer até as 18h. Quem chega a pé ou de bicicleta pode entrar a partir das 4h e sair até as 21h. A estrada é de terra e, na época das chuvas, o trecho de barro pede veículo alto ou 4x4. Leve documento com foto e CPF. O parque pode fechar em dias de incêndio: confira antes de subir.


Não. A entrada do Parque Nacional da Serra da Canastra está gratuita no momento. Cada pessoa só precisa apresentar CPF e documento com foto na portaria.
Porque a Casca d'Anta tem duas entradas. A parte baixa é pela Portaria 4 e a parte alta pela Portaria 1, a cerca de 35 km uma da outra, e a trilha que ligava as duas está interditada pelo parque. Em dois dias você vê a cachoeira de baixo e de cima, sem correria.
Sim. A nascente, o Curral de Pedras, as duas partes da Casca d'Anta e o mirante já fazem parte do roteiro. No segundo dia você escolhe mais um: Cachoeira do Fundão (acréscimo de R$ 300), Cachoeira Rasga Canga ou Garagem de Pedras. A escolha é feita aqui na página, quando você monta o seu roteiro.
O nível é moderado. No primeiro dia são cerca de 1,5 km quase planos até a queda, com um trecho final de pedras grandes. No segundo dia as trilhas são curtas. Quem escolhe o Fundão deve reservar fôlego: é a visita mais longa do dia.
O poço aos pés da grande queda é só para olhar: é fundo e tem risco de queda de blocos de rocha. O banho é nos poços do rio ao longo da trilha da parte baixa e no poço raso da parte alta. O Poço Profundo da parte alta está interditado pelo parque.
Em caso de chuva forte, cheia dos rios ou qualquer impossibilidade operacional, a experiência é reagendada sem custo adicional. A segurança do grupo vem antes do roteiro.
Cancelamento com reembolso integral em até 7 dias corridos após a compra, conforme o Código de Defesa do Consumidor, desde que solicitado com no mínimo 48 horas de antecedência da data da experiência. Após esse prazo, o cancelamento pode gerar retenção parcial de valores, referente a reservas operacionais e bloqueio de agenda já assumidos. Em caso de chuva forte, cheia dos rios ou qualquer impossibilidade operacional, a experiência é reagendada sem custo adicional. A Partiu Canastra busca sempre a melhor solução para garantir uma experiência segura e satisfatória.
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