Em 1819, o naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire saiu do caminho para conhecer o São Francisco e ouviu o barulho da cachoeira antes de vê-la. No livro em que contou a viagem, descreveu a queda como um lençol de água branca e espumosa que parecia formar flocos de neve. A trilha que leva até ela hoje tem o nome dele. É a primeira grande queda do Rio São Francisco, alimentada pelas águas que nascem lá em cima, no chapadão. O ICMBio fala em 186 metros de queda livre, e o Serviço Geológico do Brasil, que estudou o paredão, registra cerca de 180. A rocha é quartzito, e a água desce justamente por uma falha geológica que rachou a serra. Do nome, a versão mais contada diz que vem de uma árvore chamada casca-d'anta, mas nem os livros de botânica concordam sobre qual árvore é essa. A entrada é pela Portaria 4, na região de São José do Barreiro, com acesso por Vargem Bonita. Da portaria até a queda são cerca de 1,5 km de caminhada leve e quase plana. Dá para ir pela pista de terra ou pela trilha por dentro da mata, na sombra. Tem banheiro no começo e no meio do caminho, quiosques para o lanche e, no final, um trecho de pedras grandes que pede atenção. O poço aos pés da queda é para olhar, não para nadar. Ele é muito fundo, existe placa de risco de afogamento, e o Serviço Geológico classifica a área com perigo alto de queda de blocos de rocha, que pode acontecer sem aviso, com chuva ou sem chuva. O banho fica nos poços do São Francisco ao longo da trilha. Mesmo ali há perigo de enxurrada: se a água subir ou ficar barrenta, saia do rio na hora. A entrada está gratuita no momento e pede CPF e documento com foto. A portaria abre às 8h, a entrada vai até as 16h e a saída até as 18h. Com condutor autorizado, dá para entrar a partir das 7h10. Não entram animais de estimação, churrasqueira nem fogareiro, e não há lixeira nos atrativos: o lixo volta com você. Pessoas com deficiência podem ir de carro até os quiosques, e o parque empresta uma cadeira adaptada para trilha, com agendamento de cinco dias úteis. Dica de guia: perto da portaria o sinal de celular pode faltar. Baixe o mapa antes de sair da cidade (o app CanastraPass tem o mapa da região para usar sem sinal) e procure por "Portaria 4" ou "parte baixa", porque só "Casca d'Anta" pode mandar você para o outro lado da serra. E repare no rio: ele é casa do pato-mergulhão, uma das aves mais ameaçadas do Brasil. Ver um é sorte rara, nunca garantida.

Este roteiro guiado passa por aqui:
Caminho das Luzes1 dia · Leve
A partir deR$ 1.200por saída
Reserve agoraVer o roteiro completoCachoeira Casca d'Anta (Parte Baixa) · São Roque de Minas, MG
Na serra o sinal de celular falha: trace a rota ainda na cidade, ou vá com quem conhece o caminho.
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