
De São João Batista do Glória a Vargem Bonita e São José do Barreiro pela estrada da serra: paredões de pedra, campos dourados e a luz do fim de tarde.
A subida das serras saindo de São João Batista do Glória
Cachoeira Escondida, Casca d'Anta e a queijaria da Néria no caminho
Opcional: a subida da Serra Branca, com o Mirante da Mineradora e o Morro do Carvão
Vargem Bonita, a cidade que nasceu de um garimpo de diamantes
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Este roteiro tem descidas diferentes, que não cabem no mesmo dia: escolha os atrativos de uma descida só.


Escondida no nome e no caminho. A cachoeira fica dentro de uma fazenda em São João Batista do Glória, na região do Vale dos Canteiros, e muita gente emenda a visita com a Cachoeira do Quilombo no mesmo dia. A entrada passa pela Queijaria Casarão Rosa: é lá que se paga o acesso e se pega a chave da porteira. Coloque a queijaria no GPS, e não o nome da cachoeira, que pode levar a uma estrada sem saída. No caminho tem um riacho para o carro atravessar. Carro de passeio chega na seca, mas no tempo das chuvas a estrada pode ficar comprometida. Do estacionamento até a queda é uma trilha curta e fácil, de uns 150 metros. A queda tem cerca de 40 metros, com pouco volume de água, cercada de paredão de pedra e mata fechada, com bastante sombra. O poço tem água azul-turquesa e bem gelada, com partes rasas e partes fundas: quem não nada bem fica no raso. O melhor horário é entre 11h e 15h, com o sol mais alto. Na volta, vale provar o queijo canastra da queijaria.
Na estrada que liga São José do Barreiro à parte baixa da Casca d'Anta, logo no começo, fica a queijaria da Néria. É parada certa de quem vai ou volta da cachoeira, e o próprio pessoal da região costuma indicar. Néria aprendeu a fazer queijo com a mãe, ainda menina, e é a quarta geração da família no ofício. Produz numa casa que foi do bisavô, com pato, galinha e peru andando pelo terreiro. Ela conta que, quando aprendeu, queijo não se vendia para turista. Hoje a casa recebe gente de todo canto, o dia inteiro. No balcão tem queijo canastra artesanal, requeijão, doce caseiro, licor, café e cachaça. A degustação é gratuita. Quem passa por lá costuma falar dela, do atendimento de casa da roça e das crianças encantadas com os bichos da fazenda. Dá para encaixar a visita antes ou depois da Casca d'Anta parte baixa, que fica a poucos quilômetros dali.

No ponto mais alto da estrada que vai de São José do Barreiro para a Babilônia, entre a parte baixa da Casca d'Anta e a subida da Serra Branca, fica um mirante a mais de 1.200 metros de altitude. Dali a vista alcança o Vão dos Cândidos, a Cachoeira Casca d'Anta e o paredão da Canastra no horizonte. Na beira da estrada, blocos de quartzo xisto ficaram espalhados pelo campo, esculpidos pela erosão. O nome vem do garimpo. Segundo o inventário de geossítios do Serviço Geológico do Brasil, guias da região relacionam o lugar à mineração de diamante nos córregos da serra. O garimpo de diamante no alto São Francisco ganhou força a partir de 1936 e 1937, chegou a reunir uns 5 mil garimpeiros e fez nascer Vargem Bonita e São José do Barreiro. Perto do escarpamento da serra, a oeste do Barreiro, o serviço geológico francês achou em 1974 o kimberlito Canastra-1, considerado a primeira fonte primária de diamante economicamente viável do país. Anos depois ele foi estudado pela SAMSUL, empresa do grupo De Beers. Chegar exige atenção. Não há placa no caminho, e o mirante é fácil de passar sem ver. Também não há sinal de celular. Pelo lado da Casca d'Anta, carro alto costuma chegar em tempo seco. Subindo pela Serra Branca, só com 4x4, principalmente depois de chuva. A Serra Branca, aliás, tem esse nome pela cor do chão, um solo branco que vem do desgaste do quartzito. Para não errar o caminho, contrate um guia local ou reserve o roteiro Caminho das Luzes, que passa por aqui, e programe a volta com luz do dia.

Depois de visitar a parte baixa da Casca d'Anta, a estrada principal sobe a serra por uns 5,5 km até o alto do Morro do Carvão. É um dos mirantes mais procurados de São José do Barreiro, e teve viajante que escreveu que dali saiu a vista mais bonita da viagem. No alto fica a Capela de São Sebastião. Lá de cima se avista a face sul do Chapadão da Canastra, o Vão dos Cândidos, o vale da Babilônia e o paredão de onde despenca a Casca d'Anta. Com a luz certa, dá para ver ainda outra queda d'água no paredão. O fim de tarde é a hora preferida de quem conhece, por causa do pôr do sol. O acesso é todo de terra. Em dia de sol, segundo visitantes, carro de passeio sobe. Com chuva, vale perguntar como está a estrada antes de ir. O ponto do mirante é só a vista, sem estrutura de apoio, então leve sua água. Para quem segue rumo ao Mirante da Mineradora e à subida da Serra Branca, o Morro do Carvão fica no caminho.

Quem mora na região dos Canteiros conhece a história. Em algumas noites, no alto da serra, aparecem luzes que acendem, andam e somem, longe de qualquer casa ou estrada. Ninguém sabe dizer o que são. Os moradores mais antigos têm uma resposta: é a Mãe do Ouro.
No folclore do interior do Brasil, registrado por Câmara Cascudo, a Mãe do Ouro é uma luz que corta o céu à noite e guarda as riquezas escondidas na terra. Na Canastra a lenda faz sentido: foi o diamante que fez nascer as cidades do outro lado desta estrada.
O caminho começa em São João Batista do Glória, que nasceu de uma promessa. Por volta de 1820, os irmãos Daniel e Joaquim Goulart prometeram a São João Batista 70 alqueires de terra, e em 1825 já havia ali um povoado. Da cidade, a estrada atravessa a região dos Canteiros, entre paredões e encostas douradas, rumo ao alto da serra.
Do outro lado ficam Vargem Bonita e São José do Barreiro, filhas do garimpo. Em 1935 e 1936 o diamante apareceu na fazenda de José Alves Ferreira, nas brenhas do chapadão da Babilônia, conta a Enciclopédia dos Municípios do IBGE. A corrida dos garimpeiros fez o lugarejo crescer até virar município em 1953. No mesmo ano, São José do Barreiro virou distrito de São Roque de Minas.
Por isso o roteiro se chama Caminho das Luzes: uma estrada que liga a cidade da promessa às cidades do diamante, passando pela serra onde, dizem, a Mãe do Ouro ainda acende a sua luz.
Por causa de uma história contada na região. À noite, moradores e os mais antigos dizem ver luzes estranhas no alto da serra, que aparecem e somem e que ninguém sabe explicar. Os mais velhos dizem que é a Mãe do Ouro.
No caminho padrão você passa pela Cachoeira Escondida, pela Casca d'Anta e pela queijaria da Néria. Com o opcional, o roteiro sobe a Serra Branca, para no Mirante da Mineradora e no Morro do Carvão e desce pelo Vale da Babilônia: por esse caminho a parada de cachoeira é a Casca d'Anta. Os dois caminhos não cabem no mesmo dia, por isso você escolhe um deles ao montar o roteiro.
Sim. É estrada de terra, com subidas fortes na serra. Por isso o caminho é feito em veículo 4x4, com condutor que conhece a estrada.
A tarde. É quando a luz fica baixa e dourada, acende as encostas e os paredões de pedra, e o caminho faz jus ao nome.
Em caso de chuva forte ou qualquer impossibilidade operacional, a experiência é reagendada sem custo adicional. A segurança do grupo vem antes do roteiro.
Cancelamento com reembolso integral em até 7 dias corridos após a compra, conforme o Código de Defesa do Consumidor, desde que solicitado com no mínimo 48 horas de antecedência da data da experiência. Após esse prazo, o cancelamento pode gerar retenção parcial de valores, referente a reservas operacionais e bloqueio de agenda já assumidos. Em caso de chuva forte, cheia dos rios ou qualquer impossibilidade operacional, a experiência é reagendada sem custo adicional. A Partiu Canastra busca sempre a melhor solução para garantir uma experiência segura e satisfatória.
Reserva confirmada mediante sinal de 50% do valor total. O saldo restante pode ser pago até o dia da experiência. Aceitamos Pix e cartão de crédito.
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